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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Laudato Sí: ruptura ou continuidade? um primeiro olhar



I – INTRODUÇÃO 

Desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco demonstrou que iria trazer novidades para a vida da Igreja Católica. Muitas delas bem-vindas e necessárias, e algumas discutíveis, por assim dizer. Com certeza um dos momentos mais marcantes e decisivos do atual pontificado foi a publicação, pelo romano pontífice, da Carta Encíclica Laudato Sí, em 24 de maio de 2015, que posteriormente forneceu as justificativas para a convocação do Sínodo para a Amazônia. 

Na referida Encíclica, o Papa fez questão de desenvolver o problema ambiental, trazendo-o para o seio de pensamento católico, juntamente com outros temas que fazem parte da Doutrina Social da Igreja. Entretanto, mesmo com esta manifestação expressa e extensa do pontífice a respeito do tema, ainda há muitos católicos que se perguntam se é pertinente a um cristão discutir estes temas e envolver-se em ações concretas na pauta ambiental. Especialmente quando a CNBB pede que se plantem árvores no Dia de Finados em memória das vítimas da COVID/19, não é de estranhar que haja má-vontade com a nova roupagem verde que a Igreja católica assume com Francisco. 

Mas, gostemos ou não, a Encíclica está aí e é de se esperar que tanto o atual Papa quanto seus sucessores desenvolvam ainda mais a doutrina social da Igreja tendo apreço também pela chamada questão ambiental. A única alternativa diante desta provocação do pontífice é, portanto, deixar de lado as pré-concepções eventualmente existentes sobre o tema e se perguntar com sinceridade: afinal, é possível uma ecologia católica? É possível conceber um catolicismo ambientalista? 

Procurarei, nesta e em outras postagens, avançar na direção de respostas satisfatórias a estas perguntas. 



II - LAUDATO SÍ: COERÊNCIA COM O QUE O PAPA HAVIA ANUNCIADO 

Um dos pontos que causa estranheza, num primeiro momento, é que Francisco parece ter sido o primeiro Papa na história da Igreja a tratar da matéria. A própria mídia, seja secular, seja católica, gosta de vender a ideia de um papa das novidades que vem para quebrar protocolos e tirar a Igreja de seu atraso medieval, digamos assim. Não vamos aqui adentrar no mérito da questão. O fato é que, embora Francisco tenha sido o primeiro Papa a escrever uma encíclica inteira para tratar apenas da questão ambiental, não é esta a primeira vez que o tema é posto à reflexão dos fiéis por meio do Magistério do Sucessor de Pedro. 

Primeiramente, o próprio Papa Francisco, a 24 de novembro de 2013, quando foi apresentada ao mundo a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, já dava pistas de que pretendia dar ênfase especial à questão ambiental. A primeira referência ao tema aparece no número 65, em que o Papa cita o papel de mediação exercido pela Igreja junto à sociedade civil no auxílio de repetidos problemas sociais, entre os quais inclui aqueles relacionados ao meio ambiente: 

Apesar de toda a corrente secularista que invade a sociedade, em muitos países – mesmo onde o cristianismo está em minoria – a Igreja Católica é uma instituição credível perante a opinião pública, fiável no que diz respeito ao âmbito da solidariedade e preocupação pelos mais indigentes. Em repetidas ocasiões, ela serviu de medianeira na solução de problemas que afetam a paz, a concórdia, o meio ambiente, a defesa da vida, os direitos humanos e civis, etc [Evangelii Gaudium, nº 65]. 

Já bem mais à frente no documento, temos uma referência expressa, após tratar da defesa dos direitos dos seres humanos, particularmente o direito à vida das crianças ainda por nascer, o Papa alarga os horizontes de seu pensamento para englobar na necessidade de proteção todo o conjunto da Criação: 

Há outros seres frágeis e indefesos, que muitas vezes ficam à mercê dos interesses económicos ou dum uso indiscriminado. Refiro-me ao conjunto da criação. Nós, os seres humanos, não somos meramente beneficiários, mas guardiões das outras criaturas. Pela nossa realidade corpórea, Deus uniu-nos tão estreitamente ao mundo que nos rodeia, que a desertificação do solo é como uma doença para cada um, e podemos lamentar a extinção de uma espécie como se fosse uma mutilação. Não deixemos que, à nossa passagem, fiquem sinais de destruição e de morte que afetem a nossa vida e a das gerações futuras [Evangelii Gaudium, nº 215]. 

Portanto, ninguém que lance um olhar global sobre o Magistério do Papa Francisco poderá se dizer surpreso com a redação de uma encíclica ambiental de sua parte. O que surpreende na verdade não é que Francisco tenha escrito uma encíclica sobre o tema, mas que tenha sido o primeiro Papa a fazê-lo, quando outros Papas já haviam realizado ensaios neste sentido. 



III - A QUESTÃO TRATADA POR OUTROS PAPAS 

De fato, ao analisar o início da Laudato Sí, somos confrontados com várias referências que o Papa Francisco faz aos seus antecessores, demonstrando como estes já haviam, na verdade, tratado também da questão ambiental em seus escritos para a Igreja. Portanto, o que o Papa Francisco fez não pode ser caracterizado propriamente como uma novidade, mas um desenvolvimento de uma temática que já havia sido abordada anteriormente, embora em menor amplitude, no ensino do Bispo de Roma. 

São Paulo VI, no início da década de 1970, abordou a questão na Carta Apostólica Octagesima Adveniens, na qual se fazia memória dos 80 anos da publicação da Rerum Novarum de Leão XIII, considerada por muitos a primeira Encíclica social da Igreja. S. Paulo VI, tratando de temas correlatos, chama atenção para dois fenômenos emergentes à época da redação da carta e que hoje estão no centro dos debates sociais de muitos países: a urbanização e a questão da degradação dos ambientes naturais: 

Um fenômeno que ressalta, atrai a nossa atenção, tanto nos países industrializados, como nas nações em vias de desenvolvimento: a urbanização. Após longos séculos, a civilização agrícola perdeu o seu vigor. Será que se dispensa, de resto, uma atenção suficiente ao acondicionamento e ao melhoramento da vida das populações rurais, cuja condição econômica inferior e, por vezes, miserável, provoca o êxodo em direção aos tristes amontoados dos subúrbios onde não as esperam nem trabalho nem alojamento? [S. Paulo VI. Carta Apostólica Octagesima Adveniens, nº 8]. 

E mais à frente no documento, vemos a citação expressa do perigo da destruição dos ambientes a ponto de colocar em risco a sobrevivência da humanidade: 

À medida que o horizonte do homem assim se modifica, a partir das imagens que se selecionam para ele, uma outra transformação começa a fazer-se sentir, conseqüência tão dramática quanto inesperada da atividade humana. De um momento para outro, o homem toma consciência dela: por motivo da exploração inconsiderada da natureza, começa a correr o risco de destruí-la e de vir a ser, também ele, vítima dessa degradação. Não só já o ambiente material se torna uma ameaça permanente, poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto; é mesmo o quadro humano que o homem não consegue dominar, criando assim, para o dia de amanhã, um ambiente global, que poderá tornar-se-lhe insuportável. Problema social de envergadura, este, que diz respeito à inteira família humana. O cristão deve voltar-se para estas perspectivas novas, para assumir a responsabilidade, juntamente com os outros homens, por um destino, na realidade, já comum [S. Paulo VI. Carta Apostólica Octagesima Adveniens, nº 21]. 

Ou seja, pelo menos desde a década de 70 do século passado encontramos um Papa abordando a questão ambiental. Já se vão, portanto, ao menos 50 anos de tratativas sobre o tema. Portanto, pode-se dizer que a Igreja está atenta à questão ambiental desde o seu surgimento, pois também na década de 70 têm início os primeiros esforços das nações para discutir a questão. Se a questão pode, mesmo considerando a passagem de 50 anos, ser ainda considerada nova aos olhos da Igreja, é apenas porque a Igreja passou a se preocupar com o tema na mesma época em que ele surgiu na pauta das sociedades políticas, como aliás ocorre em todas as matérias da doutrina social da igreja: os problemas são abordados à luz do Evangelho à medida em que vão surgindo. 

Após São Paulo VI e o reinado de apenas 33 dias de João Paulo I, o santo João Paulo II também dedicou atenção ao tema durante o seu tempo à frente da Igreja. São muitas as vezes que o tema foi abordado por aquele Papa em documentos com valores distintos, com destaque para muitas catequeses proferidas em audiências gerais. Se falta a solenidade própria das Encíclicas, nem por isso estamos autorizados a pensar que aquele Papa em seu ensino considerado em sentido amplo, não considerava a questão ambiental como relevante para o nosso tempo. 

Quero destacar aqui o discurso daquele Papa na audiência geral de 17 de janeiro de 2001, na qual se encontram muitas afirmações ambientalistas de São João Paulo II a respeito do tema: 

No hino de laudes, agora proclamado (cf. Sl 148, 1-5), o Salmista convoca, chamando-as pelo seu nome, todas as criaturas. No alto, apresentam-se os anjos, o sol, lua, estrelas e céus; sobre a terra movem-se vinte e duas criaturas, tantas quantas são as letras do alfabeto hebraico, a indicar plenitude e totalidade. O fiel é como 'o pastor do ser', quer dizer, aquele que conduz para Deus todos os seres, convidando-os a entoar um "aleluia" de louvor. O Salmo introduz-nos como num templo cósmico que tem por abside os céus e por naves as regiões do mundo, em cujo interior o coro das criaturas canta a Deus [S. João Paulo II. Audiência Geral de 17/01/2001]. 

E ainda: 

Infelizmente, se o olhar percorre as regiões do nosso planeta, apercebemo-nos depressa de que a humanidade frustrou a expectativa divina. Sobretudo no nosso tempo, o homem devastou sem hesitações planícies e vales cobertos de bosques, poluiu a água, deformou o habitat da terra, tornou o ar irrespirável, perturbou os sistemas hidro-geológicos e atmosféricos, desertificou espaços verdejantes, levou a cabo formas de industrialização selvagem, humilhando para usar uma imagem de Dante Alighieri (cf. Paraíso, XXII, 151) o 'canteiro' que é a terra, nossa morada [S. João Paulo II. Audiência Geral de 17/01/2001]. 

Finalmente: 

...é preciso estimular e apoiar a 'conversão ecológica', que nestes últimos decénios tornou a humanidade mais sensível aos confrontos da catástrofe para a qual estava a caminhar. O homem não é mais 'ministro' do Criador. Mas, como déspota autônomo, está a compreender que finalmente tem de parar diante do abismo [S. João Paulo II. Audiência Geral de 17/01/2001]. 

Após a morte daquele Papa, assumiu Bento XVI, que também se manteve em linha de coerência com o pensamento de seus antecessores. Aliás, até o reinado de Papa Francisco, Bento XVI era referido em muitos ambientes do ativismo ambiental como o Papa mais verde da História. É possível encontrar, em sucessivas matérias de sites especializados na matéria, alusões positivas á figura do Papa Emérito, quando se trata da questão ambiental: 

Não foi só nas pregações que Joseph Ratzinger se uniu à sustentabilidade – o papa conseguiu tornar a sede da Igreja livre de emissões de carbono e ordenou a instalação de sistemas de energia fotovoltaica, transformando o Vaticano no Estado mais verde do mundo. Até o Papamóvel entrou na onda ecologicamente correta – o carro do papa emérito era híbrido e seguido por batedores que conduziam dois veículos elétricos. Durante seu exercício, Ratzinger organizou um encontro científico para abordar o aquecimento global e as mudanças climáticas. Além disso, o líder católico publicou 'O Meio Ambiente', livro que aborda os desafios da preservação ambiental [confira mais aqui]. 

De fato, existem tantas falas e tantos gestos concretos de Bento XVI com relação à questão ambiental que não é possível enumerar tudo sem alongar demais a postagem. Em sua Encíclica Caritas in Veritate, de 2009, o Papa dedica todo o capítulo V à questão do meio-ambiente, procurando delinear os critérios válidos para uma correta relação entre o homem, a natureza e o Criador comum a ambos: 

O tema do desenvolvimento aparece, hoje, estreitamente associado também com os deveres que nascem do relacionamento do homem com o ambiente natural. Este foi dado por Deus a todos, constituindo o seu uso uma responsabilidade que temos para com os pobres, as gerações futuras e a humanidade inteira. Quando a natureza, a começar pelo ser humano, é considerada como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo, a noção da referida responsabilidade debilita-se nas consciências. Na natureza, o crente reconhece o resultado maravilhoso da intervenção criadora de Deus, de que o homem se pode responsavelmente servir para satisfazer as suas legítimas exigências — materiais e imateriais — no respeito dos equilíbrios intrínsecos da própria criação. Se falta esta perspectiva, o homem acaba por considerar a natureza um tabu intocável ou, ao contrário, por abusar dela. Nem uma nem outra destas atitudes corresponde à visão cristã da natureza, fruto da criação de Deus [Bento XVI. Carta Encíclica Caritas in Veritate, nº 48]. 

Bento XVI prossegue por um longo período abordando as questões ambientais de seu tempo. O texto é longo e tudo nele é tão precioso que não me animo de transcrever mais trechos aqui, pois considero que tudo é indispensável. Convido o leitor a ler com atenção todo o capítulo V da Encíclica [Acesse a Encíclica aqui]. E poderia ainda enumerar aqui outros muitos textos, homilias, cartas apostólicas de Bento XVI, onde é abordada não somente a questão ambiental, mas também a questão indígena. Há uma carta dirigida ao Arcebispo de Medellín, por exemplo, onde são tratados todos estes temas, que posteriormente foram apenas desenvolvidos por Francisco. Ali o Papa Emérito já tratava da necessidade de respeitar a cultura dos povos americanos naquilo que não fere explicitamente a fé católica, entre outros temas que sempre fizeram parte do pensamento e da prática da Igreja, e que devem ser objeto de tratativa em postagem específica. 



IV - CONCLUSÃO 

De tudo isso, podemos concluir, com relação ao que fez Papa Francisco em Laudato Sí, ao menos quanto ao tema abordado (a forma como foi abordado deve ser discutida separadamente), que não somente não existe tanta novidade como muitos querem fazer parecer, como, ao contrário, há grande continuidade entre a obra do atual Papa e o Magistério anterior, ao menos quando considerado em seu sentido mais amplo. 

A questão ambiental já chama a atenção da Igreja de forma manifesta ao menos desde a década de 1970 com o Papa S. Paulo VI, que, seguindo o costume dos outros Papas ao escreverem documentos relacionados à doutrina social da Igreja, apenas acompanham o surgimento destas questões no seio da sociedade civil. São Paulo VI registrou o seu surgimento, São João Paulo II iniciou as tratativas sobre o tema, Bento XVI tomou várias medidas concretas a este respeito e dedicou um capítulo inteiro de uma Encíclica a este assunto. Vista a questão dentro deste olhar mais amplo, Papa Francisco apenas deu o próximo passo em um processo que sequer foi iniciado por ele, mas no qual o Pontífice se coloca como herdeiro de um legado recebido. 

Com isto não entramos, é verdade, no conteúdo da Encíclica, que merece uma análise em separado. Entretanto, apenas saber que estamos trilhando um caminho que já vem sendo pavimentado pelos Papas anteriores deve nos ajudar a vencer alguma resistência a respeito do tema e nos lançarmos com maior interesse sobre a matéria. Afinal, se os Papas em sucessão julgam o tema progressivamente mais importante, é sinal de que também nós precisamos nos atentar com crescente atenção e dedicação a esta matéria, como filhos que somos daquele que ocupa o trono de São Pedro. 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MODÉSTIA - PARTE 2


Antes de mais nada, para quem pegou o bonde andando, esta postagem é na verdade a continuação de outra, como o próprio título sugere. Qualquer coisa, é só checar a postagem anterior a essa. Continuemos.

Eu dizia na postagem anterior que ainda queria discorrer um pouquinho sobre uns pontos interessantes da modéstia. Aqui eu contei muito com a ajuda de outros blogs católicos, e no outro post, também. As referências estão todas lá no final, se alguém quiser se aprofundar no tema.

Este é um blog católico, é claro. E, como todo bom blog católico (eu mesmo elogiando meu blog, que horror), tem que falar algo de Nossa Senhora, Mãe de Jesus Nosso Senhor. 


O EXEMPLO DE NOSSA SENHORA: A MODÉSTIA FEMININA

As mulheres tem uma aliada muito poderosa para alcançar a virtude da modéstia, que é nada menos do que Nossa Senhora. Assim como os homens devem se espelhar de forma especial em Nosso Senhor Jesus Cristo, as mulheres não ficaram sem um exemplo a seguir. Imitando a Mãe de Jesus, que nos diz a respeito de seu filho “fazei tudo o que Ele vos mandar”, as mulheres encontrarão um exemplo seguro a ser seguido no caminho da salvação. 

É preciso meditar em todas as passagens nas quais Nossa Senhora aparece. Estudar suas atitudes, rezar o terço, o rosário. Contemplar e imitar o santo silêncio da Virgem, sua solidariedade, sua dedicação em servir aos outros. Sua humildade e a resignação com que suportou a espada que lhe perfurou o coração. Uma mulher parecida com Maria é uma mulher que leva todos aos seu redor para perto de Jesus. 

Nesse sentido, separei algumas falas de um autor a ser citado mais abaixo, e que me parecem muito oportunas e adequadas: 

“À imitação de Maria, evita as palavras duras..., bruscas..., malsoantes. Vê como a linguagem da tua Mãe é tranquila, afável, discreta, humilde..., tornando-se simpática e atraente pela doçura de voz..., pela bondade..., pureza..., caridade e até alegria santa das suas palavras. Tem cuidado, em especial, com as disputas e altercações; ainda que tenhas razão, deves moderar o teu juízo próprio..., cedendo, sem ser pertinaz nem ter cabeça dura...; é melhor ceder e calar com modéstia, que sair triunfante com teimosia e soberba.” 

Oras, como seria bom se hoje tivéssemos mulheres cristãs que se educassem nesse sentido! Ao contrário, o que vemos são cada vez mais mulheres grosseiras, bruscas, a ponto de afastar as pessoas ao seu redor. Todos devem ser gentis e educados, homens e mulheres. Mas em uma mulher, feita para ser doce e pura, tais desvios de virtude são especialmente reprováveis. 

Continuemos com trechos selecionados: 

“A pobreza da casa de Nazaré, própria duma operária, faz que nela tudo seja humilde e modesto em último grau... A simplicidade e modéstia do seu vestido, avalia pela extrema necessidade de Belém e verás como nem em casa de Maria, nem no enxoval e vestido, encontrarás coisa alguma que indique luxo..., afetação da sua pessoa..., comodidade de algum gênero. 

Nas suas viagens não usará carruagens, nem mesmo as mais modestas de então... O Evangelho nada mais diz senão que foi, por exemplo, à Judeia, com grande pressa..., pois a estimulava a caridade... Eis toda a sua preparação e equipagem...: uma pobre trouxa de roupa e muito amor de caridade para com Deus e para com o próximo... Que exemplo de simplicidade e modéstia!... Não é modéstia a falta de asseio..., o desarranjo no vestuário...; ao contrário, pode haver modéstia em meio de uma sóbria elegância, contanto que esta seja conforme o teu estado..., a tua condição... e as circunstâncias que te rodeiam...; mas nunca será compatível com o luxo..., com a vaidade dos vestidos... e menos ainda com qualquer defeito por pequeno que seja em matéria de honestidade.” 

(D. Ildefonso Rodriguez VILLAR. Pontos de Meditação sobre as Virtudes de Nossa Senhora. Tradução revista pelo Padre Manuel Versos Figueiredo, S. J. (s. e.) Porto, 1946, p.138-142)


DICAS PRÁTICAS DE MODÉSTIA COM RELAÇÃO AOS SENTIDOS HUMANOS 


Finalmente, para encerrar a breve explanação sobre esse tema, deixo aqui algumas dicas que encontrei no blog “Flores da Modéstia”, a respeito da mortificação os sentidos, algo de que se fala pouco, e que por isso mesmo achei que seria bom colocar aqui. Eu modifiquei um pouco e omiti algumas coisas, avisando desde já. O texto, porém continua NÃO SENDO MEU. Não quero violar os direitos autorais de ninguém. Hehehehehehe.

1. Mortificação da vista 

As primeiras setas que ferem uma alma casta e, às vezes, a matam, entram pelos olhos. Por meio dos olhos entram no espírito os maus pensamentos. "Não se deseja o que não se vê", diz São Francisco de Sales. 

2. Mortificação do ouvido 

Evita ouvir conversas inconvenientes ou difamações, e mesmo conversas mundanas sem necessidade, pois estas enchem nossa cabeça com uma multidão de pensamentos e imaginações que nos distraem e perturbam mais tarde nas nossas orações e exercícios de piedade. Se assistires a conversas inúteis, procura quanto possível dar-lhes outra direção, propondo, por exemplo, uma importante questão. Se isso não der resultado, procura retirar-te (...). 

3. Mortificação do olfato 

Renuncia a todos os vãos perfumes, sejam quais forem; suporta, antes, de boa vontade, o mau cheiro que reina em geral nos quartos dos doentes. Imita o exemplo dos Santos que, animados pelo espírito de caridade e mortificação, sentiam tanto gosto no ar corrompido das enfermarias, como se estivessem em jardins de flores odoríferas. 

5. Mortificação do paladar 

Quanto à mortificação do paladar, será bom desenvolver mais a fundo a necessidade e a maneira de nos mortificarmos nesse sentido. 

§5.1- Santo André Avelino diz que quem deseja alcançar a perfeição, deve começar com uma séria mortificação do paladar. Antes dele já o afirmara São Gregório Magno (Mor., 1. 30, c. 26): "Para se poder dispor para o combate espiritual, deve-se reprimir a gula". O comer, porém, satisfaz necessariamente ao paladar: não nos será, pois, lícito, comer coisa alguma? 

Certamente devemos comer: Deus mesmo quer que, por esse meio, conservemos a vida do corpo para O servirmos enquanto nos permite ficar no mundo. Devemos, porém, cuidar de nosso corpo do mesmo modo, diz o padre Vicente Carafa, como o faria um rei poderoso com um animal que ele, com as próprias mãos, tivesse de tratar várias vezes durante o dia; seguramente cumpriria o seu dever; mas, como? Contrariado e desgostoso e o mais depressa possível. "Deve-se comer para viver, diz S. Francisco de Sales, e não viver para comer". (XXX) 

Isso levou Santa Catarina de Sena a dizer: "É impossível que aquele que se não mortifica no comer, conserve a inocência, visto que Adão a perdeu em razão de seu gosto de comer". Como é triste ver homens "cujo Deus é o ventre" (Filip 3, 19). 

Primeiramente, obscurece esse vício o entendiemnto, como ensina S. Tomás, e o torna imprestável para os exercícios espirituais, particularmente para a oração. Assim como o jejum dispõe a alma para a meditação de Deus e dos bens eternos, assim a intemperança retrai disso. Segundo S. João Crisóstomo, aquele que enche o estômago com comidas é semelhante a um navio muito carregado, que apenas se pode mover do lugar: ele se acha em grande perigo de afundar, se uma tempestade de tentações lhe advêm. 

Além disso, quem concede toda a liberdade a seu paladar, facilmente estenderá a mesma liberdade aos outros sentidos, pois, se o recolhimento de espírito desapareceu, facilmente se cometem ainda outras faltas por palavras e obras. O pior é que, pela intemperança no comer e beber, expõe-se a castidade a um grande perigo. "Excessiva saciedade produz lascívia", diz S. Jerônimo (Adv. Jovin., 1. 

Os que cuidam em mortificar o paladar fazem contínuos progressos na vida espiritual. Adquirem mais facilidade em mortificar os outros sentidos e em praticar as outras virtudes. Pelo jejum, assim se exprime a Santa Igreja em suas orações, concede o Senhor à nossa alma a força de superar os vícios, de se elevar acima das coisas terrenas, de praticar a virtude e adquirir merecimentos infinitos (Praef. Quadrag.). 

b) Quanto à quantidade das comidas, diz São Boaventura: "Não deves comer mais, nem mais vezes, do que te é necessário para sustentar, e não para agravar, teu corpo". Por isso, é uma regra, para todos os que querem levar uma vida devota, não comer nunca até à saciedade, como São Jerônimo aconselhava à virgem Santa Eustóquio, escrevendo-lhe: "Sê sóbria no comer e nunca enchas o estômago". Alguns jejuam num dia e comem demais no dia seguinte; é melhor, segundo S. Jerônimo, tomar regularmente a alimentação necessária, do que comer demasiadamente depois do jejum. Com razão dizia um Padre do deserto: "Quem come mais vezes, tendo, apesar disso, sempre fome, receberá uma recompensa maior do que aquele que come raras vezes, mas até à saciedade". "Uma temperança constante e regrada, diz S. Francisco de Sales, é melhor que um rigoroso jejum de vez em quando, ao qual se faz seguir uma falta de mortificação" (Filotéia, p. 3, c. 23). 

Se alguém quer reduzir seu sustento à justa medida, convém que o faça pouco a pouco, até que conheça, pela experiência, até onde pode ir na mortificação sem se causar sensível dano. 

Contudo, todos devem tomar como regra o comer pouco à noite, mesmo quando lhes parecer que necessitam de mais; a fome de noite é, muitas vezes, só aparente e, se se passa um pouco só da justa medida, sente-se muito incômodo na manhã seguinte: sente-se dor de cabeça, dores de estômago, está-se indisposto, e até incapaz de qualquer trabalho espiritual. 

Referindo-se ao vinho, diz a Sagrada Escritura: "Não dês vinho aos reis" (Prov 31, 4). Sob essa expressão de reis, não se entendem os que reinam sobre nações, mas todos os homens que domam suas paixões e as submetem à razão. Infelizes daqueles que são dados ao vício da embriaguês, diz a Sagrada Escritura (Prov 23, 29). E por quê? Porque o vinho torna o homem luxurioso (Prov 20,1). Por isso escreveu S. Jerônimo à virgem Eustóquio: "Se quiseres permanecer pura, como deve ser uma esposa de Jesus Cristo, evita o vinho como veneno: vinho e mocidade são duas iscas" (Ep. 22 ad Eust.). 

De tudo isso devemos deduzir que aqueles que não possuem virtude ou saúde suficiente para renunciar por completo ao vinho, devem ao menos servir-se dele com grande sobriedade, para não serem atormentados por mui fortes tentações impuras. 

Primeiro, não se deve comer fora de hora, isto é, fora da hora da refeição comum. Um penitente de São Filipe Néri tinha esse defeito. O Santo o corrigiu com as palavras: "Meu filho, se não te emendares dessas falta, nunca chegarás a ter uma vida espiritual". 

Segundo: nunca se deve comer desregradamente, isto é, com avidez, por exemplo, enchendo a boca demais, com tal pressa que antes de se engolir um bocado já se leva outro à boca. "Não sejas glutão em banquete algum" (Ecli 37, 22), diz-nos o Espírito Santo. Além disso, deves tomar os alimentos com a boa intenção de conservar as forças do corpo, para podermos servir ao Senhor. 

[Omiti o trecho da mortificação do tato por razões pastorais. Se alguém quiser conferir, está em um dos links]


CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Se há mais alguma coisa a ser dita, é apenas a seguinte: tudo o que foi colocado aqui só poderá ser realizado em nossas vidas, colocado em prática e vivenciado com seriedade pela graça de Deus. É óbvio que está acima de nossas capacidades humanas nos portarmos de forma tão nobre e perfeita, a não ser que estejamos muito unidos a Deus. Portanto, em nossos esforços para alcançarmos a verdadeira modéstia, devemos pedir sempre a ajuda do Senhor. Que Ele derrame em nós o Seu Santo Espírito, pois só assim seremos capazes de sermos “perfeitos, como o Pai que está nos céus é perfeito”. 

Glória a Jesus na Hóstia Santa! Salve Maria Santíssima!


REFERÊNCIAS 






Além da Bíblia e do catecismo, é claro! Deus nos guarde!


DISCORRENDO SOBRE A MODÉSTIA - PARTE 1

Saudações a todos. Depois de um certo tempo, postando novamente. Desta vez, tecendo algumas considerações sobre a virtude da modéstia, a pedido de pessoas queridas que me pediram que fizesse alguma coisa nesse sentido. Demorei algum tempo procurando deixar as coisas de uma forma que me agradasse e ficasse de acordo com o que julgasse adequado para o público ao qual direciono estes escritos. O resultado de tudo isso segue abaixo:


CONCEITO DE MODÉSTIA E TEMPERANÇA

A modéstia é uma das virtudes das quais mais necessitamos para chegar ao céu. Infelizmente, é uma das que mais desconhecemos, e uma das quais menos recebe a nossa atenção. Não deveria ser assim.

A modéstia é parte da virtude da temperança. Dependendo do conceito que a ela se dê, ela pode mesmo ser entendida como um sinônimo da temperança. É a virtude que regula nossos atos externos mais variados, desde a forma como caminhamos e nos vestimos até o tom de nossa voz nas conversas, bem como os assuntos que conversamos.

É a virtude da compostura, do decoro. Fala-se que parece com a temperança, que é uma parte dela, exatamente porque a temperança é a virtude que nos garante o equilíbrio mental cristão. Ora, uma pessoa com a mente e o espírito equilibrados tende a agir de forma equilibrada, também. A modéstia e a temperança, portanto, são irmãs. Uma não vive em a outra. E ninguém chega ao céu sem possuir as duas.

Vejamos ainda, como um material de apoio (qualquer conhecimento e leitura piedosa a mais é útil em se tratando de obter a salvação, vocês hão de concordar comigo), é bom àquele que deseja ser modesto buscar também, como já dito, a virtude da temperança. Sobre esta diz o catecismo da Igreja Católica:

“A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis , guarda uma santa discrição e ‘não se deixa levar a seguir as paixões do coração’. 

A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: ‘Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos’ (Eclo 18, 30). No Novo Testamento, é chamada de ‘moderação’ ou ‘sobriedade’. Devemos ‘viver com moderação, justiça e piedade neste mundo” (Tt 2, 12). [CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA N. 1809) 

Percebemos claramente, de acordo com o conceito trazido pelo catecismo, que a temperança é uma virtude maior, mais geral, da qual a modéstia constitui uma parte. As duas, como já demonstrado, dialogam entre si. Portanto, uma pessoa modesta é, antes de mais nada, uma pessoa equilibrada. Queres ser modesto, ou modesta? Procura, antes de mais nada, ser equilibrado.


A PRIMEIRA MODÉSTIA: A MODÉSTIA INTERNA

Antes de adentrar no reino da modéstia, de caráter mais externo, o ideal seria que a pessoa procurasse desenvolver a temperança, de caráter mais interno. Do contrário, as práticas de modéstia exterior acabariam sendo apenas uma forma diferente de exibicionismo, de arrogância. Por exemplo, o uso do véu pode ser uma forma de externar uma profunda piedade, mas também pode ser apenas uma forma de se exibir, de ser diferente, de aparecer. Não basta, portanto, atividade exterior, ela precisa ser alimentada também por uma virtude interior.

A moral católica sempre ensinou que, para um ato ser verdadeiramente bom, deve ser bom tanto em sua execução interna quanto em sua execução externa. Novamente, recorramos ao ensinamento da Santa Madre Igreja a respeito do tema:

“Uma intenção boa (por exemplo, ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento desordenado em si mesmo (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justifica a condenação de um inocente como meio legítimo para salvar o povo. Por sua vez, acrescentada uma intenção má (como, por exemplo,a vanglória), o ato em si bom (como a esmola) torna-se mau.” [N. 1753]

Finalmente, a própria bíblia há de me alertar para que não fique preso apenas às aparências, pois, em última instância, não é para elas que nosso Deus haverá de se voltar. E episódio da unção de Davi já nos deixou isso bem claro:

“Logo que chegaram, quando Samuel viu Eliab, disse consigo: ‘Certamente Iahweh tem o seu ungido perante ele! Mas Iahweh disse a Samuel: ‘Não te impressione com a sua aparência nem com a sua elevada estatura: eu o rejeitei. Não se trata daquilo que vêem os homens, pois eles vêm apenas com os olhos, mas Iahweh olha o coração” (1 Samuel 16, 6-7).

Portanto, o primeiro e mais importante caráter da modéstia é o interior, e no qual se deve trabalhar com prioridade. Mas isso não quer dizer que, enquanto não é alcançada a modéstia interior, deve-se descuidar do exterior. Pelo contrário, sabendo que ainda não alcancei a modéstia interior, devo me vigiar duplamente, para que a minha forma de vestir, falar e agir não escandalize os demais. Isto será melhor analisado a seguir.


O CARÁTER PÚBLICO DA VIDA DO CRISTÃO. VIGIAR PARA NÃO ESCANDALIZAR OS OUTROS: A MODÉSTIA EXTERNA

Todo católico, todo cristão, deve sempre ter em mente que não existe de forma isolada. Não existe por si mesma, mas é parte de um grupo, é parte de uma família, que é a Igreja.

A ação de uma pessoa reconhecida como católica, seja para o bem, seja para o mal, influi na reputação de toda a Igreja. Quando nós, católicos, estamos em algum ambiente público, estamos sendo observados pelas pessoas ao nosso redor. Somos como Nosso Senhor quando estava presente à sinagoga, e “todos tinham os olhos fixos Nele”.

Essas pessoas, sem dúvida alguma, estarão a nos vigiar, esperando que lhes demos qualquer oportunidade de nos criticar, de falar mal de nós, e portanto, uma desculpa para permanecerem longe da Igreja e do Senhor Jesus. Não podemos nos permitir dar a essas pessoas a desculpa que tanto procuram. Devemos vigiar o tempo todo nosso comportamento. Somos embaixadores de Cristo, como diz São Paulo. Devemos transmitir Cristo para as pessoas. Isso significa transmitir dignidade, distinção, pureza de costumes, moralidade, piedade, moderação, discrição honra, enfim, tudo que compõe essa importante virtude que é a modéstia.

Podemos perceber, nessa linha de pensamento, a importância que a Igreja sempre deu ao tema. Por exemplo, o seguinte enxerto, retirado de um discurso de Pio XII às garotas da Ação Católica, a 22 maio 1941: “Enquanto certos modos provocantes de vestir permanecem como triste privilégio de mulheres de reputação duvidosa e são quase um sinal que as faz reconhecer, não se ousará, pois, usá-los para si; mas no dia em que aparecerem como ornamentos de pessoas acima de quaisquer suspeita, não se duvidará mais de seguir tal corrente, corrente que arrastará talvez para dolorosas quedas”.

Ou seja, aqui Sua Santidade nos alertava exatamente sobre nossa posição, enquanto católicos, enquanto cristãos. Devemos ser o diferencial na sociedade. Não podemos correr o risco de deixarmos nossos modos, nossos costumes, nossos hábitos, serem contaminados pelo mundo, pois, como nos diz Jesus Cristo, somos o sal da terra e a luz do mundo. Devemos ser os guias da humanidade rumo á perfeita virtude que se encontra na Igreja do Senhor. Se nós, ao contrário, permitimos que os costumes mundanos sejam adotados até mesmo na Igreja, então o mundo perderá esse referencial tão necessário, que devemos ser nós. Então, novamente entra em cena o Senhor: 

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com o que o salgaremos? Para nada mais serve, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.” (Mt 5, 13)

Um outro exemplo da preocupação com o modo de se portar, e este revestido com toda a autoridade de um apóstolo do Cordeiro, pode ser encontrado nos escritos de São Paulo, homem que se notabilizou no início do cristianismo por ter sido um grande regulador dos costumes entre nós, cristãos: “Quero que as mulheres de vistam de maneira decente, com simplicidade e bom sendo. Elas não devem se enfeitar com penteados exagerados, com ouros, com pérolas, nem com vestidos caros. Porém, devem se enfeitar com boas ações, como é próprio às mulheres que são reverentes a Deus” (1 Timóteo 2, 9).

Fica claro, portanto, que, se você é cristão, o modo de se portar, de se vestir, deve ser uma das suas preocupações mais importantes. É algo importante para os papas. É algo importante para São Paulo. Deveria ser importante para nós, também.

Penso ser uma boa hora para recordar os ensinamentos do Senhor Jesus a respeito dos escândalos. O que acontece quando um cristão escandaliza os outros? O que acontece quando aquele que deveria dar o exemplo é o primeiro a se permitir igualar em termos de costumes aos que ainda não conheceram o Senhor? Ou quando escandaliza ou tenta os próprios irmãos, ainda que não de propósito? Vamos à leitura do Evangelho:

“Ai do mundo por causa dos escândalos! É necessário que haja escândalos, mais ai do homem pelo qual o escândalo vem!” (Mt 18, 7)

Aqui, Jesus faz um grande alerta a nós, que somos seus discípulos. Não devemos ser causa de escândalo, ou seja, de que queda, de espanto ímpio, de alvoroço mundano para os outros. Se o formos, Ele mesmo afirma, as conseqüências serão desastrosas para nós mesmos. E o Mestre continua, sempre com palavras fortes:

“Se tua mão ou o teu pé te escandalizam, corta-os e atira para longe de ti. Melhor é que entres mutilado ou manco para a Vida, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres atirado no fogo eterno” (Mt 18, 8).

Ora, se Jesus fala assim de nossos próprios membros, que não dirá Ele de certos hábitos e costumes nocivos que nós temos para nós mesmos e para os outros? Não será Ele muito mais incisivo em dizer a cada um de nós para nos livrarmos dessas condutas, e assim evitarmos a perdição da própria alma, e das almas de outras pessoas?

Em outro ponto do Evangelho de São Mateus, anterior, Jesus deixa tudo ainda mais explícito:

“O Filho do Homem enviará seus anjos e eles apanharão do seu Reino todos os escândalos [ou seja, todos que levam os outros a pecar] e os que praticam a iniqüidade e os lançarão na fornalha ardente. Ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 13, 41 – 42).

Portanto, todo cuidado que tenhamos nesse particular, ainda será pouco. Pensemos nisso da próxima vez que estivermos nos arrumando para sair de casa, pensemos nisso em nossas conversas em público, enquanto caminhamos na rua. Pensemos o que Jesus faria, lembremo-nos dos Seus sentimentos, e procuremos guiar nossa conduta de acordo com as conclusões que tirarmos, após invocar o Espírito Santo para que ilumine nossos raciocínios. Às mulheres, o exemplo de Nossa Senhora, a Virgem do silêncio, também é muito útil.


A SOLIDARIEDADE CRISTÃ COMO FATOR-CHAVE PARA A PRÁTICA DA MODÉSTIA

É bem verdade que tanto homem quanto mulher devem se precaver de todas as formas para não olharem com maldade os corpos dos outros. Mas também é verdade que cada cristão deve cuidar para não fazer de seu corpo uma tentação para os irmãos. É uma questão de solidariedade. Se eu sei que somos todos pecadores, que todos tendemos para o mal, é óbvio que isso exige de mim uma preocupação em evitar ser uma ocasião de pecado para os outros. É uma atitude virtuosa, que demonstra que a pessoa já está avançada no seguimento de Jesus, a ponto de renunciar a si mesma pela salvação dos irmãos.

Claro, podemos nos esconder atrás de inúmeras desculpas, e frases feitas como “a maldade está nos olhos de quem vê”. Mas Deus nos convida, em todos os tempos, a reconhecer, antes da maldade que está no outro, a maldade que está em mim. Eu e você também não somos lá essas coisas. Sempre há algo de mal em nossas ações, mesmo que muitas vezes não percebamos. Isso também passa por querer estar bonito, por querer aparecer, especialmente quando estamos escolhendo nossas roupas. É claro que uma mulher, ao escolher tal ou qual vestido, pensa, mesmo que por breves momentos, até que ponto ele realça suas formas. O mesmo se dirá de um homem que sai com aquelas blusas apertadas, que dão a impressão de seu braço ser maior. É preciso que o cristão pare de dar desculpas e comece a fazer esforços sinceros na direção da santidade.


A RECUSA EM PRATICAR A MODÉSTIA: IGNORÂNCIA DOS PRECEITOS BÍBLICOS E SINTOMA DE UMA PERSONALIDADE ARROGANTE

Não levar a virtude da modéstia a sério e não se esforçar em praticá-la é ignorar por completo os apelos bíblicos fortíssimos nesse sentido. Não podemos nos permitir esse luxo, de abandonar a Palavra de Deus para seguirmos nossas próprias concepções. Deus nos conhece melhor do que nós a nós mesmos. E não devemos pensar que essa preocupação toda com a modéstia é algo novo. Já no Antigo Testamento, podemos encontrar, nos livros que recolheram a sabedoria do judaísmo antigo, como é o caso do Livro dos Provérbios. Vejamos o conteúdo do versículo 22 do Capítulo 11: “Como ia de ouro em focinho de porca, assim é a mulher formosa que se aparta da discrição”. Igualmente, podemos contemplar, no versículo 30 do Capítulo 31: “Enganosa é a graça, e vã é a formosura; mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”.

Ou seja, a primeira preocupação da mulher cristã (e do homem também) não deve ser a formosura, a beleza, o exibicionismo, o protagonismo, mas deve ser a condição de ser humano agradável diante do Senhor. 

Isto fica ainda mais claro quando meditamos um pouco a respeito de certos versículos contidos no livro anterior a Provérbios, o Livro dos Salmos.Vejamos o Salmo 147 (Hino ao Onipotente), versículos 10 e 11: “Ele não se compraz com o vigor do cavalo, nem aprecia os músculos do homem; Iahweh aprecia aqueles que O temem, aqueles que esperam Seu amor.”

Qual diferente da mensagem destes escritos sagrados é a conduta de tantos rapazes e moças, de tantos homens e mulheres, que se dizem cristãos, que se dizem católicos, e passam horas e horas em academias, ou em rituais sociais exibicionistas, tudo isso apenas para agradar aos homens e a si mesmos, tão preocupados com a própria imagem que acabam incorrendo em idolatria, onde a própria pessoa é o seu deus.

Não é isso que Deus quer que façamos com nossos corpos. É claro que não é pecado ir à academia, ou a um baile e querer estar elegante, mas tenhamos bom senso, tenhamos recato, tenhamos modéstia em nossas atividades. Já diziam os antigos, tudo demais é veneno. Também não é obrigatório que se saia por aí vestindo trapos, ou nunca mais se escove os dentes, ou algo assim. O que se quer deixar claro aqui é que todo cristão deve ter em mente sempre que seu corpo é algo sagrado.

Novamente, é de São Paulo que nos vem o socorro nesta linha de pensamento: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vós e que recebestes de Deus? E que, portanto, não pertenceis a vós mesmos? Alguém pagou alto preço pelo vosso resgate. Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (1 Cor 6, 19-20).

Mas voltemos a analisar os textos do Antigo Testamento. O Livro do Eclesiástico (este aqui mais caro e familiar aos católicos, já que os protestantes não o consideram divinamente inspirado) também nos dá alguns importantes conselhos relacionados com a modéstia. Vale a pena nos debruçarmos sobre eles:

“Ouve em silêncio, e tua modéstia provocará a benevolência” (Eclesiástico 32, 9). E ainda: “Não te afastes da mulher sensata e virtuosa que te foi concedida no temor do Senhor; pois a graça de sua modéstia vale mais do que o ouro” (Ecleciástico 7, 21).

Muitas vezes, o que nos falta para que possamos ser pessoas verdadeiramente modestas é outra virtude, que é a da humildade. Apenas a pessoa que se reconhece pequena diante de Deus e que se julga menos importante do que os outros poderá progredir verdadeiramente na virtude da modéstia. Pessoas arrogantes, muito preocupadas com a própria glória, com o próprio destaque, prestígio ou mesmo felicidade, dificilmente conseguirão se tornar pessoas modestas.

Ao contrário, o mais provável é que, fechadas em seu próprio orgulho, se tornem pessoas exibicionistas, e que mesmo eventuais práticas de modéstia exterior nada mais sejam em suas vidas do que hipocrisia e sede de aparecer diante dos homens. Contudo, bem ensina Jesus Cristo, essas pessoas “já receberam a sua recompensa”.


OUTRAS FORMAS DE PRATICAR A VIRTUDE DA MODÉSTIA

Já vimos que a modéstia deve se manifestar tanto em nossa vida íntima quanto em nossa vida pública, especialmente no que diz respeito à forma como nos portamos e nos vestimos.

Mas não somente a pureza na forma de se portar, de se vestir. O cristão deve buscar, deve ter a santa pretensão de ser perfeito em tudo, puro em tudo, como um perfeito sacrifício de louvor que é colocado no Altar do Senhor. O próprio Rei dos reis não deixa barato em suas considerações sobre a pureza, e não se limita a exigir uma pureza de ações. Exige até mesmo a pureza do pensamento, e nos adverte que um pensamento impuro causa tanto estrago que a materialização ou não do pecado imaginado acaba sendo irrelevante. Para Ele, o estrago já está feito: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mateus 5, 28).

Isso é extremamente importante no que diz respeito à modéstia, tanto do homem quanto da mulher. E também com a virtude maior que orienta a modéstia em todos os seus momentos, da qual já falamos no começo de nosso estudo: a temperança.

Em outras palavras, isso quer dizer que eu devo procurar a sobriedade e a discrição em todas as áreas da minha vida. Devo vigiar as minhas leituras, as minhas refeições, os programas que assisto, os assuntos que costumo conversar, e até mesmo com quem costumo conversar ou me relacionar. A escolha de um namorado ou namorada também não deve ser feita sem considerarmos tudo com equilíbrio, calma, discrição, piedade.

Especialmente a forma como cultuamos ao Senhor deve ser repleta de piedade, pureza e graça na forma como nos expressamos, seja em atos, seja em palavras, seja por meio de nossa postura. A oração não deve ser apenas uma repetição de palavras, mas um ato que envolve o ser inteiro, a mente, o coração e o corpo. Como está sendo nossa participação nas missas? Estamos nos portanto de forma adequada diante do Senhor que está presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade? É uma pergunta de cuja resposta depende a nossa salvação. Creia nisso.

Também nas relações com o próximo, com meu irmão, a modéstia deve se fazer presente. A começar na família, que é a Igreja doméstica. De que forma me relaciono com meus familiares? Aliás, eu ao menos me relaciono com eles, ou passo a maior parte do tempo vendo televisão, ou usando o celular, enfim, me isolando em meu mundinho ao invés de aproveitar as pessoas que Deus me deu para serem íntimas de mim?

Devemos nos recordar que a modéstia é uma virtude do dia-a-dia. Diz respeito a tudo que fazemos. Tudo deve ser executado com ponderação, discrição, sensatez. Enfim, equilíbrio. Aqui novamente, ninguém está dizendo que não se deve mais ver televisão, especialmente junto com a família, ou que não se deve mais usar o celular. Mas é imodesto permitir-se dominar por essas atividades:

“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma” (1 Cor 6, 12).

Aqui me permito uma pausa, com o objetivo de dar tanto a mim quanto ao leitor um momento de descanso. Mas não paramos por aqui. Ainda quero publicar algumas outras pequenas coisinhas que acho relevantes sobre o tema. Mas isso fica para outro post.

Por hora, glória a Jesus na Hóstia Santa, e Salve Maria Santíssima!



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Catolicismo e os estrangeiros: rejeitar ou acolher?


Em minha cidade, que é uma das grandes metrópoles do Brasil, é comum vermos pessoas reclamando dos estrangeiros, dos imigrantes que aparecem "vindos sabe-se lá de onde" e então "tomam os postos de trabalho da população local".

É comum ouvirmos dizer que essas pessoas "deveriam voltar para o lugar de onde vieram", isso quando estamos diante de alguém apenas levemente extremista nesse aspecto. Se a conversa for com alguém da extrema-direita (tal qual a idealiza o professor Olavo de Carvalho), os termos serão ainda menos elegantes.

Nunca é demais lembrar, desde já, que esse é o tipo de discurso que faz ascender ao poder figuras como Mussolini, Hitler e mesmo, ainda que pela via indireta, Fidel Castro e outros extremistas.

O estrangeiro sempre aparece como um inimigo, como uma ameaça, pronto para "contaminar" a cultura, a tradição e os bons costumes da pátria que "tão generosamente os acolhe". Eu, pelo menos, dispenso uma generosidade dessas, e o estrangeiro certamente o faria, se pudesse.

Vejam, em momento algum estou dizendo que o estrangeiro seja um elemento acima de qualquer suspeita, acima do bem e do mal, o próprio Cristo encarnado vindo nos visitar. Em muitos casos, de fato, ele o é. Em muitos casos, igualmente, não o é. Mas uma postura de hostilidade prima facie não é nem de longe a opção mais cristã.

É preciso, verdeiramente, portanto, se perguntar até que ponto essas práticas são - ou melhor, não são - cristãs ou mesmo humanas, dignas de um ser humano, independente de ser ele cristão ou não. Tentemos fazer isso de maneira rápida.

Em primeiro lugar, é preciso estar atento ao discurso tão oportuno do Papa Francisco, que vem valorizando tanto essa questão da indiferença ao tema dos imigrantes, mesmo por parte de tantos que se dizem cristãos. 

Como disse Sua Santidade em mais de uma ocasião, realmente, em muitos casos realmente impera, senão a hostilidade, ao menos a indiferença. Esquecemos os imigrantes, como se realmente fossem apenas estatísticas.

Muitas vezes esquecemos que estamos lidando com pessoas muitas vezes fugindo de um país que amam, mas que não é capaz de lhes prover o mínimo que merecem enquanto seres humanos pelos quais Nosso Senhor Jesus Cristo derramou Seu Preciosíssimo Sangue.

Nesse sentido, acho que seria muito adequado nos debruçarmos um pouco sobre as palavras do próprio Senhor a respeito desse tema:

***

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, Capítulo 25, versículos de 33 a 46:

..."E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.

Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; ERA ESTRANGEIRO, e hospedastes-me;

Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.

Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber?

E QUANDO TE VIMOS ESTRANGEIRO, E TE HOSPEDAMOS? Ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;

Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; SENDO ESTRANGEIRO, NÃO ME RECOLHESTES; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, OU ESTRANGEIRO, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, todas as vezes que não o fizestes a um destes pequeninos, FOI A MIM QUE NÃO O FIZESTES.

E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna."

***

Sem dúvida uma passagem muito reveladora, que nos começa a revelar, já de forma bem clara, qual deve ser a postura do verdadeiro cristão para com o estrangeiro.

Jesus Cristo é muito enfático nesse aspecto, e claramente condiciona a prometida salvação ao acolhimento sincero, por parte de nós, cristãos, a diversos categorias, entre as quais o estrangeiro figura expressamente.

E isto não é uma invenção de Jesus Cristo, somente. O filho de Deus não acordou um belo dia e disse: "VOU REVOLUCIONAR". Nada disso.

Mesmo antes da doutrina cristã, o judaísmo também possuía traços fortes de bons modos no trato aos que não são da pátria, e não podemos jamais nos esquecer que Jesus, considerado enquanto ser humano, era judeu, e portanto estrangeiro a mim, e muito provavelmente a você também.

 Vejamos um pouco da Torá:

***

"Quando também fizerdes a colheita da vossa terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua sega.

Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre E AO ESTRANGEIRO. Eu sou o Senhor vosso Deus."

Livro do Levítico, Capítulo 19, versículos 9 e 10.

***

Podemos ainda perceber a preocupação com a temática em momentos posteriores da história do povo da Antiga Aliança:

***

"O Senhor protege o estrangeiro, e sustém o órfão e a viúva, mas frustra o propósito dos ímpios."

Salmo 146, versículo 9.

***

Saiamos agora um pouco da recorrência às Escrituras. O próximo elemento de convencimento que coleciono, como católico, é um documento recolhido de nossa Sagrada Tradição. Vamos dar uma olhada em um trecho pertinente ao tema:

***

"Os cristãos não se distinguem das outras pessoas nem pela pátria, nem pela língua, nem por um género de vida especial; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer noutros usos; mas a sua maneira de viver é sempre admirável aos olhos de todos.

Habitam a sua pátria, mas vivem como que de passagem; em tudo participam como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. 

TODA TERRA ESTRANGEIRA É SUA PÁTRIA E TODA A PÁTRIA LHES É ESTRANGEIRA. Obedecem às leis estabelecidas, mas pelo seu modo de vida superam as leis."

Epístola a Diocleto, século II, Coletânea dos Padres da Igreja.

***

Aqui, quero comentar de forma, espero, oportuna. Vemos claramente que ao princípio do cristianismo a questão da pátria não era da importância que hoje muitos que se dizem cristãos atribuem.

Isto, de fato, afirmo sem medo de errar, não é cristianismo genuíno, mas nacionalismo, é uma ideologia venenosa que infelizmente se imiscuiu no meio cristão em muitos casos.

Penso que devemos ter muito cuidado para não nos deixarmos contaminar por certos pensamentos extremistas, seja da direita, seja da esquerda, que muitas vezes acabam por deturpar o real sentido das palavras de Jesus, dos Apóstolos e dos Padres da Igreja.

Com isso não quero dizer que não temos pátria, que não devemos dar importância ao nosso país, e tudo o mais. Quero apenas recordar que a verdadeira pátria do cristão não é outra que não a PÁTRIA CELESTE, e se a minha preocupação com as tantas pátrias terrestres, por mais lícita que seja, superar a preocupação com aquela, então Jesus Cristo não é verdadeiramente o centro da minha existência.

Ora, o próprio cristianismo em seu início sofreu com esses problemas nacionalistas, conquanto as Leis de Moisés impediam os judeus cristãos de se misturarem com os pagãos, com os gentios, com os estrangeiros, com os impuros.

Não admira que muitos dos cismas que a Igreja de Cristo enfrentou ao longo dos séculos tenham sido motivados por razões nacionalistas, sendo o caso mais notório o da criação da chamada Igreja Anglicana. 

Quer dizer, essas pessoas estavam dando prova de que não entenderam a mensagem de Cristo. E o mesmo se faz hoje ao querer falar em termos como "igreja do Brasil", ou "igreja da Amazônia".

Igreja, Igreja, mesmo, com a graça de Deus, só existe uma, e ela não tem pátria, não tem fronteiras, porque católica, isto é, universal, para todos.

A coisa era tão grave no começo da religião de Jesus que foi preciso que São Pedro, o primeiro Papa, iluminado pelo Espírito Santo, pusesse fim à questão:

***

"E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas;

Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo."

Livro dos Atos dos Apóstolos, Capítulo 10, versículos 34 e 35.

***

Podemos ver, ao longo da história de toda a humanidade, como muitas vezes um pretenso zelo nacionalista acabou sendo ponto de apoio para inúmeros genocídios e para a legitimação de atitudes xenofóbicas muitas vezes trágicas para povos inteiros.

Nem mesmo no tempo dos profetas, nem mesmo no tempo do Salmista, se estava livre desse tipo de atitude. Hoje, também não é diferente:

***

Matam a viúva E O ESTRANGEIRO, e tiram a vida ao órfão. E dizem: O Senhor não vê; o Deus de Jacó não o percebe. Atendei, ó néscios, dentre o povo; e vós, insensatos, quando haveis de ser sábios? 

Aquele que fez ouvido, não ouvirá? ou aquele que formou o olho, não verá? Porventura aquele que disciplina as nações, não corrigirá? Aquele que instrui o homem no conhecimento, o Senhor, conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.

Salmo 94, versúculos de 6 a 11

***

Eu fico aqui, pois, me perguntando, o que se passa na cabeça de uma pessoa assim, que procura qualquer desculpa para não acolher o próximo, ansioso por encontrar nele qualquer diferença que permita não o amar, ou o amar menos que o da esma pátria, por exemplo, como se todos não fossem filhos do mesmo Deus.

Felizmente, isso jamais fez parte da doutrina católica, conquanto, infelizmente, muitos membros da Igreja do passado e de hoje não se apercebam disso, e queiram sequestrar a doutrina de Cristo para si, buscando justificar seus próprios costumes torpes.

Por um acaso Cristo não está presente no pobre, no excluído, no necessitado? E isto não é discurso de um liberteiro ou de um comunista, são palavras do próprio Cristo, juntadas no início deste post!

Santo Tomás de Aquino disse que "todos são filhos de Deus, ainda que por vestígio". Mesmo um não batizado traz em si algo de divino. Ou será que o relato do Gênesis, "Deus criou o homem à SUA IMAGEM E SEMELHANÇA" perdeu a validade, ou apenas se aplica a certas pessoas, e a outras não?

Todo ser humano, independente da pátria a que pertença, de alguma forma reflete a glória e a majestade de nosso Deus. Merece ser acolhido como tal, e respeitado como tal. Aqui recorro novamente a Santo Tomás de Aquino:

"Aquele que zomba da criatura, zomba do Criador".

***

Finalmente, para coroar a exposição dos motivos católicos a respeito da matéria, tomemos as palavras do Catecismo:

***

"As nações mais favorecidas devem acolher, na medida do possível, o estrangeiro em busca da segurança e dos recursos vitais que não pode encontrar em seu país de origem."

Os poderes públicos zelarão pelo respeito do direito natural que põe o hóspede sob a proteção daqueles que o recebem.

Em vista do bem comum de que estão encarregadas, as autoridades políticas podem subordinar o exercício do direito de imigração a diversas condições jurídicas, principalmente com respeito aos deveres dos migrantes para com o país de adoção.

O migrante é obrigado a respeitar com gratidão o patrimônio material e espiritual do país que o acolhe, a obedecer às suas leis e a dar sua contribuição financeira."

§2241 do Catecismo da Igreja Católica, edição típica vaticana.

***

Em suma, para o bom católico, e para o bom cristão em geral, o estrangeiro é Cristo, merece ser acolhido, auxiliado, respeitado e amado.

E o migrante, igualmente, deve ser grato pelo acolhimento e hospitalidade que lhes sejam deferidos, respeitando as leis e costumes do local que o acolhe, e buscando dar, ele, também, a sua justa contribuição.

Podemos perceber, na linha de equilíbrio e ponderação que é característica do catolicismo, como o mesmo procura equilibrar de forma justa e cristã os dois lados da questão, não nos tornando nem escravos nem algozes do estrangeiro, mas seus colaboradores enquanto seres humanos, iguais perante o mesmo Deus e Senhor.

O que passar disso deixa de ser cristianismo e se torna mera ideologia, deixa de ser o encontro submisso com a pessoa do Salvador, e se torna apenas palanque de politicagem, ou manipulação das palavras do Filho de Deus em prol de interesses egoístas e amalucados.

***

"Um só é o vosso mestre, e todos sois irmãos."

Jesus Cristo.


Glória a Jesus na Hóstia Santa. Salve Maria Santíssima!


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Considerações sobre o SOLA SCRIPTURA

Caros leitores, antes de mais nada cumpre informá-los de que ultimamente tenho estado profundamente envolvido em projetos de cunho altamente apologético. Como católico que sou, e não escondo de forma alguma - pelo contrário, quem me conhece pessoalmente sabe que até ostento essa característica - que o sou, confesso que muito me agrada escrever sobre a Sã Doutrina, que tanto amo.

Alguns, porém, podem acabar não gostando dos textos, e até se sentindo profundamente ofendidos. Não é a intenção. Meu único desejo é promover minha fé, da qual estou plenamente convencido e que muito me faz feliz. Se publico e defendo, e divulgo e sugiro a outros que a sigam também, é para que experimentem a mesma felicidade que eu mesmo vivo. Isto posto, vamos em frente.

O texto a seguir foi retirados do blog VISÃO CRISTÃ, cujo autor é simplesmente o Bispo Auxiliar de Aracaju, Dom Henrique Soares da Costa. 

Na visão do autor, o mesmo é um dos melhores bispos em atividade no Brasil, e suas palavras representam a exposição segura da doutrina católica.

Não é, portanto, um post em que eu mesmo vá ter um papel de destaque. O objetivo é divulgar a obra do Bispo, e ao mesmo tempo introduzir o tema do presente post.

Lamentavelmente, o blog de Sua Excelência, que era hospedado nos servidores do UOL, teve problemas e teve de ser desativado. Por isso, o mesmo está começando praticamente do zero, em novo endereço, que segue abaixo:


Feita a devida e salutar divulgação do blog desse homem maravilhoso, que é uma referência de fé católica para o autor, prossigo com o pequeno texto escrito pelo mesmo:

***

"Quando a Palavra se faz confusão!

Só para que compreenda bem, meu Leitor: Quando alguém aparecer a você argumentando contra algum ponto da fé da Igreja com esta expressão "isto não é bíblico" ou "onde está na Bíblia?", já esteja certo: este tipo de raciocínio é viciado pelo erro interpretativo (= hemenêutico, se diz) protestante! A própria pergunta, o próprio modo de argumentar já está errado, é míope e foge à fé dos cristãos!

Onde está o erro, a ilusão, a armadilha? Ei-la: todo texto, sem exceção alguma - inclusive os textos da Escritura Sagrada - é sempre interpretado a partir de uma determinada visão. Qual visão? A visão de quem o lê, de quem o interpreta.

Essa visão pode ser chamada "tradição", isto é, toda aquela mentalidade, cultura, sensibilidade, nas quais o leitor lê e interpreta o texto...

Ora, no caso da Escritura, só há duas possibilidades:

(1) Lê-la na Tradição da Igreja, que é a Tradição Apostólica e orientada pelo Santo Espírito, como Cristo garantiu no Evangelho e os Apóstolos recomendaram e testemunharam.

(2) Lê-la com as tradições humanas, dos vários fundadores de denominações cristãs, que deformaram e parcializaram a Escritura, exagerando ou negando, sempre desequilibrando algum aspecto dela, impondo-lhes sua própria tradição humana.

Dois exemplos disso:

1. Na Escritura nunca se ensinou ou afirmou o princípio protestante da "sola Scriptura" (só a Bíblia é norma de fé). Isto é uma tradição humana criada erradamente por Lutero.

Então, os católicos estejam atentos para não engolirem esse princípio, que não é bíblico nem pertence à reta Tradição da Igreja. Nunca, em 1500 anos de cristianismo, foi ensinado isto! Foi invenção dos reformadores protestantes! E o resultado foi uma catástrofe!

2. Eis a catástrofe: cada fundador de denominação, inventa sua tradição humana de interpretação e a considera a única interpretação literal da Escritura! E, na verdade, nenhuma dessas tradições tem autoridade alguma, pois se separam da verdadeira Tradição Apostólica, a única na qual a Escritura pode ser retamente interpretada, pois transmitida ininterruptamente pela Igreja com a assistência do Espírito Santo.

Releia bem o que escrevi e compreenda, para não cair na armadilha argumentativa dos enganados e enganadores biblicistas ou bibliomonistas que, erradamente, reduzem o cristianismo à Bíblia!

Escrevo estas coisas para esclarecer os filhos da Igreja, meus irmãos, aos quais devo o serviço da pregação da nossa santa fé católica.

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Já avisei lá em cima que eu mesmo escreverei pouco nesse post. Farei apenas intervenções pontuais para "linkar" as citações que separei para publicar aqui.

Peço a atenção do leitor para a "catástrofe" da interpretação pessoal apontada por Sua Excelência o Bispo: a interpretação pessoal das Sagradas Escrituras.

Sempre gosto de dizer que o protestantismo é um movimento anti-Pentecostes. Contra a descida do Espírito Santo, do Espírito de Unidade, de entendimento, de concordância.

O protestantismo teve o condão de trazer ao seio cristão a discórdia em níveis nunca antes experimentados, multiplicando as doutrinas e desfigurando as verdades cristãs, que agora estão diluídas em meio a um mar de heresias.



Em sua própria base, em seu próprio começo, o postulado de que qualquer um pode ler a bíblia e então, a partir dela, criar sua própria doutrina, não poderia servir para outra coisa que não tornar um homem, por mais ignorante que seja, subitamente capaz de se opor a todo o entendimento que a Igreja sempre teve.

Tudo, é claro, sob o argumento de que o mesmo está "assistido" pelo Espírito Santo, e portanto não pode errar. O problema é que esse negócio de dizer que está assistido pelo Espírito Santo se tornou tipo o preso dizer que é inocente. Todos o dizem, mas quantos o são realmente?Deixo a pergunta no ar...

Para demonstrar de forma exemplar onde esse tipo de pensamento pode nos levar, vejamos um pouco da fala de um homem muito famoso na história ocidental:

"Io non ammetto che la mia dottrina possa
essere giudicata da alcuno, neanche dagli Angeli.
Chi non riceve la mia dottrina non può giungere alla salvezza".

(Martinho Lutero, Weim., X, P. II, 107, 8-11)

traduzindo:

"Eu não admito que a minha doutrina pode ser julgado por ninguém , até mesmo pelos anjos . Quem não receber a minha doutrina não pode alcançar a salvação . "

(Martinho Lutero, Weim., X, P. II, 107, 8-11)

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Sensacional, não acham?Um único homem, de repente, apregoa a si mesmo o conhecimento e autoridade para negar todo o ensinamento de 1.500 anos da Igreja, e ainda nos afirma que a SUA doutrina é que é a correta. 

E isso é apenas o pioneirismo nesse tipo de atitude! A partir desse marco inicial, o que passaremos a ver na história será uma sucessão desses "iluminados", cada um afirmando categoricamente que foi "iluminado" pelo Espírito Santo, e que em sua doutrina reside o cristianismo verdadeiro.

Seria tudo muito lindo, se cada um desses homens não dissesse algo diferente do outro...

(pausa dramática)

Quero dizer, fica claro desde já que tem alguma coisa errada nisso tudo. Na verdade, algumas coisas, TUDO, enfim. Como já nos alertou lá em cima Dom Henrique, o raciocínio está ferido de morte já em seu início.



Para reiterar esse posicionamento e procurar tornar as coisas mais claras, vejamos o que tem a dizer sobre o tema uma figura muito famosa no contexto cultural brasileiro, que recentemente lançou um livro muito bom que o autor recomenda a todos: O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA NÃO SER UM IDIOTA:

"Acerca do SOLA SCRIPTURA:

Vamos largar a confusão teológica e voltar à questão histórica básica. Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram os Evangelhos como simples autores independentes, ou como membros e representantes da Igreja? Como membros e representantes da Igreja. 

Foi portanto a Igreja que, neles, recebeu a inspiração divina para escrever os Evangelhos. A Igreja escreveu os Evangelhos e ela é não só a autora do texto e a garantidora da sua autenticidade, mas o canal pelo qual a inspiração divina se materializou em texto. A inspiração vem antes da redação ou depois?

Necessariamente antes. É a inspiração divina que garante a sacralidade do texto ou, ao contrário, o texto que garante a inspiração divina que o antecede? Evidentemente, a inspiração origina, precede e garante o texto e não ao inverso. 

Os Evangelhos são portanto a expressão textual que traz a nós, sob a forma de texto, a verdade dada anteriormente à Igreja como inspiração. A mera existência física dos Evangelhos prova a origem da sua autoridade: a Igreja, portadora da inspiração divina que os produziu."

Olavo de Carvalho.

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Fica bem claro, portanto, que é extremamente arriscado, para não dizer tolo, querer interpretar as escrituras de maneira pessoal, individual, dissociada da Tradição e do magistério da Igreja.

As Escrituras foram escritas pela Igreja, e quem melhor para dizer o sentido de um texto do que quem o escreveu?Notem que aqui nem estou apelando para o Espírito Santo, pois acredito que, antes de ser uma questão de fé, isto é uma questão de lógica.

Oras, se eu escrever um texto, eu mesmo que vos falo, é óbvio que a pessoa mais capacitada para dizer o sentido desse texto sou eu mesmo. O mesmo sucede com a Igreja. 



Note-se que aqui não estou em momento algum dizendo que um protestante, ao ler as Escrituras, não poderá lhes encontrar o real sentido.

Não estou dizendo que um protestante, nesse particular. Estou dizendo que a Igreja não pode errar. E já escrevi acerca dos motivos.

A Igreja é assistida pelo Espírito Santo, e na Igreja Romana governa o sucessor legítimo de São Pedro, aquele a quem Jesus Cristo prometeu o "poder das chaves". Agora, sim, estou entrando na questão da fé, mas ainda assim guardando a lógica com os textos sagrados.

Nesse sentido, convém citar trecho particularmente didático da Profissão de fé do Concílio de Trento:

"Reconheço a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, como Mestra e Mãe de todas as Igrejas. Prometo e juro prestar verdadeira obediência ao Romano Pontífice, Sucessor de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos e Vigário de Jesus Cristo."

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Ainda no que diz respeito a esta questão, se alguém quiser se aprofundar mais nos últimos argumentos que acabei de expor, recomendo o link abaixo, que apresenta o tema de forma muito didática e prática. Menção honrosa ao excelente trabalho executado pelo blog VERITATIS SPLENDOR:


Apenas para dar um gostinho ao leitor, encerro esta parte com o trecho inicial da argumentação exposta no link acima:

"Desde o princípio, Deus fala com sua Igreja através da Bíblia e da Sagrada Tradição. Para garantir que sejam compreendidas por nós, Deus guia a autoridade de ensino da Igreja - o Magistério - para que esta possa interpretar perfeitamente a Bíblia e a Sagrada Tradição.

Eis a dádivá da infalibilidade! Esses três elementos - a Bíblia, a Sagrada Tradição e o Magistério - são todos necessários para que haja a estabilidade da Igreja e para garantir a segurança da doutrina."

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Mas tudo bem, estes são argumentos genuinamente católicos, alguém poderá dizer. E onde posso encontrar referências bíblicas de que a Igreja de Roma é assim tão especial como os católicos querem fazer parecer?Oras, eu responderia ao protestante que em nenhum outro lugar fora a própria bíblia.


O ex-pastor protestante Paulo Leitão, hoje um dos grandes pregadores católicos em atividade nesse país, fez questão de separar alguns trechos particularmente reveladores da Carta de São Paulo aos ROMANOS, em que o Apóstolo deixa escapar algumas frases interessantes. Vejamos:

"Em primeiro lugar, dou graças ao meu Deus mediante Jesus Cristo por todos vós, PORQUE VOSSA FÉ É CELEBRADA EM TODO O MUNDO."

(São Paulo, Carta aos ROMANOS, Capítulo 1, Versículo 8.)

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"Pessoalmente, estou convencido, irmãos, de que estais cheios de bondade e REPLETOS DE TODO O CONHECIMENTO E EM GRAU DE VOS PODER DESADMOESTAR MUTUAMENTE."

(São Paulo, carta aos ROMANOS, Capítulo 15, versículo 14.)

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" Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. TODAS AS IGREJAS DE CRISTO VOS SAÚDAM."

Rogo-vos, entretanto, irmãos que estejais alertas CONTRA OS PROVOCADORES DE DISSENSÕES E ESCÂNDALOS CONTRÁRIOS AO ENSINAMENTO QUE RECEBESTE. EVITAI-OS. Porque estes não servem a Cristo, nosso Senhor, mas ao próprio ventre, e com palavras melífluas e lisonjeira seduzem os corações simples.

VOSSA OBEDIÊNCIA TORNOU-SE CONHECIDA DE TODOS E SOIS PARA MIM MOTIVO DE ALEGRIA. Mas desejo que sejais sábios para o bem e sem malícia para o mal.

Pois o Deus da paz não tardará em esmagar satanás debaixo de VOSSOS PÉS. Que a graça do Senhor Jesus Cristo esteja convosco!

(São Paulo, Carta aos Romanos, Capítulo 16, versículos 16 a 20)

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Observem, eu poderia ter separada várias outras passagens aqui, a respeito de São Pedro, por exemplo. Já o fiz, porém, em outro post recente.

A leitura cumulativa das passagens acostadas aqui com as referentes ao PAPADO no post de minha autoria que linkarei logo abaixo deverá, julgo eu, ser suficiente para dar a um biblista muito em que pensar:


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Tendo em vista tudo o que foi dito, julgo deveras conveniente elencar aqui mais um escrito de um filósofo famoso a respeito do tema:

'Qual o fundamento evangélico da "Sola scriptura"?

Mostre-me, nos Evangelhos, um só versículo que os afirme como única fonte confiável sobre os ensinamentos de Jesus. Eu, da minha parte, li em João 21:25, o contrário disso: que "Jesus disse muitas outras coisas".

Mostre-me um versículo que afirme que os ouvintes diretos dessas coisas não têm autoridade para repassá-las oralmente, ou que negue que alguém as tenha ouvido.

Os autores dos Evangelhos eram homens da Igreja, falavam em nome dela, e foi a Igreja que, bastante tempo depois da morte de Jesus, julgou e selecionou os quatro textos canônicos, separando os apócrifos e duvidosos. A integridade do texto evangélico vem, pois, da autoridade da Igreja, e não ao inverso.

Se os Evangelhos fossem a única fonte autorizada, isso estaria declarado no próprio texto deles, pois não é cabível que Deus, ao inspirar os evangelistas, se esquecesse de lhes ditar logo o preceito fundamental para a leitura daquilo que estavam escrevendo.

"Sola scriptura" é um argumento autocontraditório, absurdo na base.'

Olavo de Carvalho

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Vejamos ainda o que algumas ilustres figuras católicas tem a nos dizer, finalmente, sobre os indivíduos que, ao longo do tempo, adotaram a SOLA, e se separaram da Igreja:

"Não pode haver fé no Espírito Santo se não houver fé em Cristo, na doutrina de Cristo, nos sacramentos de Cristo, na Igreja de Cristo.

Não é coerente com a fé cristã, não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja, quem não tem confiança nEla, quem só se compraz em apontar as deficiências e as limitações dos que a representam.

Quem a julga de fora e é incapaz de se sentir seu filho.”

(São Josemaría Escrivá)

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"Triste é o católico que coloca suas
opiniões e vontades, acima do que a Igreja orienta."

(São Jerônimo)

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E, finalmente, para encerrar com chave de ouro, um Santo cujos escritos fazem parte da própria Bíblia:

"A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade."

(Primeira Carta de São Paulo A Timóteo, Capítulo 3, versículo 15)

Nesse sentido, se alguém quiser se aprofundar, no tema, novamente me socorro da competência e excelente redação do blog VERITATIS SPLENDOR:


De minha parte, eu já estou honestamente cansado, motivo pelo qual encerro por aqui. Abraço a todos. Glória a Jesus na Hóstia Santa!Salve Maria Santíssima!